Convívio no túnel
por Maria
Francisca Botelho
Nasci em Lisboa, mais concretamente em São Sebastião
da Pedreira, mas foi na Bobadela e nos Olivais que cresci e é entre estes dois
locais que divido a minha vida, atualmente. Para mim, os Olivais são um local
bastante importante, pois lá está situado o café do meu avô e foi onde tive as
minhas primeiras amizades. Lembro-me perfeitamente das minhas brincadeiras com
a Ana, num túnel mesmo ao lado do café, onde fazíamos imensas atividades como
jogar à bola ou andar de patins.
Nesse túnel, juntavam-se muitas pessoas, umas a jogar
ao dominó e outras a assistir (era algo que se fazia todos os dias à tarde).
Após o jogo, as pessoas levantavam-se das mesas que pertenciam ao
estabelecimento e iam beber umas bebidas. Eram, sem dúvida alguma, momentos
preciosos onde havia bastante interação, algo que, infelizmente, se foi
perdendo. Passados estes oito anos, hoje, cada vez que vou para lá, ao fim de
semana, já não “vejo” as pessoas em redor das mesas a rirem-se, a falar, a
prestar atenção ao jogo. Umas morreram, outras estão em casa incapacitadas e
outras mudaram-se.
Da Ana, já não se sabe nada.
É verdade, hoje o tempo mudou, pois as novas
tecnologias provocaram uma profunda alteração na nossa sociedade.
Agora,
quando estou sentada cá fora a olhar para o túnel, penso: - Queria
voltar atrás no tempo, para os bons velhos dias, onde a convivência era algo
predominante.
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