Os nossos Escritores



Convívio no túnel
por Maria Francisca Botelho

Nasci em Lisboa, mais concretamente em São Sebastião da Pedreira, mas foi na Bobadela e nos Olivais que cresci e é entre estes dois locais que divido a minha vida, atualmente. Para mim, os Olivais são um local bastante importante, pois lá está situado o café do meu avô e foi onde tive as minhas primeiras amizades. Lembro-me perfeitamente das minhas brincadeiras com a Ana, num túnel mesmo ao lado do café, onde fazíamos imensas atividades como jogar à bola ou andar de patins.
Nesse túnel, juntavam-se muitas pessoas, umas a jogar ao dominó e outras a assistir (era algo que se fazia todos os dias à tarde). Após o jogo, as pessoas levantavam-se das mesas que pertenciam ao estabelecimento e iam beber umas bebidas. Eram, sem dúvida alguma, momentos preciosos onde havia bastante interação, algo que, infelizmente, se foi perdendo. Passados estes oito anos, hoje, cada vez que vou para lá, ao fim de semana, já não “vejo” as pessoas em redor das mesas a rirem-se, a falar, a prestar atenção ao jogo. Umas morreram, outras estão em casa incapacitadas e outras mudaram-se.
Da Ana, já não se sabe nada.
É verdade, hoje o tempo mudou, pois as novas tecnologias provocaram uma profunda alteração na nossa sociedade.
Agora, quando estou sentada cá fora a olhar para o túnel, penso: - Queria voltar atrás no tempo, para os bons velhos dias, onde a convivência era algo predominante. 


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Neuschwanstein – Império Élfico 
por Paulo Carmo

    Vivia por entre bosques encantados, aos pés de Neuschwanstein, a mais bela colina do império, onde tudo se movia: pássaros, árvores, tudo!
    Era aqui a morada do imperador Schmidtz, o Bondoso…e era esta a visão de uma das suas sobrinhas, Ariel, a fada do bosque, pequenina mas ladina.
   Era ela quem tinha a tarefa de manter todo o império em funcionamento…
   Aqui vai uma descrição do império:
Neuschwanstein era grande e belo. A norte havia campos de belas túlipas amarelas, violetas e vermelhas, com as suas pétalas esvoaçando ao ritmo da leve brisa que soprava de sul. Seguindo um pouco para sul, pela estrada dos Arménios, encontrava-se o vale Doglington, atravessado pelo rio Ritzen, que corria até aos Urais, onde congelava. Neste vale existiam casas na margem sul, casas essas dos duendes-mineiros, que trabalhavam nas minas de pedra-bottz, amontoada ao longo de campos e campos, onde era transformada em blocos utilizados na construção do grande túmulo, que decorria na época.
   Mas voltando à nossa descrição…na margem norte havia um pequeno porto de barcos-folha, situado perto do café de Julieta, uma joaninha muito simpática. Finalmente, para se atravessar o vale, passava-se pela alta ponte Dodge II, onde se via todos os dias um aparato de carruagens, passando de uma margem para a outra. Na parte de baixo da ponte passava o comboio que unia o império, pela antiga linha de Transtein.
   Viajando para sul passava-se pelos campos de girassóis-gigantes, por Drodss a terra alta, chegando assim aos grandes jardins de Pedro, O Grande, situados aos portões da colina imperial Neuschwanstein.
   No topo desta situava-se o castelo de Neuschwanstein, palácio real com a sua entrada vermelha e as suas altas torres, com pequenos toldos e enfeitadas com bandeiras.
   Na zona sul da colina caíam enormes cascatas de vinho doce, grande negócio da época. Todas as 7 Terras ao redor do império iam comprar este vinho, por isso os cofres de Neuschwanstein transbordavam. O império era rematado a sul pelas colinas Neshoya, onde nevava regularmente.
   Todos viviam felizes e em paz, animais, plantas e humanos.
   Mas havia um perigo que ameaçava há muito o império, esse perigo chamava-se Ivan, o Terrível.
   Ivan, o Terrível era imperador das Terras Baixas, extenso império situado para lá de   Neshoya até ao mar. Era conhecido por ter expulso do seu reino os invasores Vikings e por ter morto o seu rei, por isso Ivan estava constantemente em guerra com as nações do norte.
     Mas o grande sonho deste imperador era, desde há muito, invadir Neuschwanstein, pois assim possuiria o maior império do continente e controlaria o negócio do vinho doce, lucrando com isso, tornando-se assim no mais poderoso imperador do continente.        
    Uma breve descrição de Ivan, o Terrível: homem alto, de longa barba negra, trajava sempre o manto imperial e a coroa na cabeça.
   Ivan tentara já um sem número de vezes invadir o reino de Neuschwanstein, sem sucesso, uma vez que as fronteiras do império estavam muito bem defendidas.
   Era no armamento e defesa das fronteiras do império, que Schmidtz empreendia os lucros do negócio do vinho doce.
   O império de Ivan produzia um vinho amargo, de que ninguém gostava, muito menos comprava, por isso o imperador mandou fechar as fontes de onde este saía.
   Ivan mandava de vez em quando campanhas militares a Neuschwanstein, sem sucesso. Há meses que não enviava uma…
   Desta vez, Ivan estava a preparar algo em grande…durante meses reunira homens e animais destinados a invadir o império de Schmidtz, onde ninguém suspeitava de tais acontecimentos.
   Um dia bem cedo, Neuschwanstein acorda em grande alvoroço…tinha sido invadido pelo exército de Ivan! Para além do negócio do vinho, Ivan sentia uma paixão por Ariel, a sobrinha de Schmidtz, ela era outro dos interesses deste no império, pois pretendia casar com ela.
   Ivan tinha juntado um exército gigantesco composto por mais de dez mil homens! Cruzou as criaturas mais fortes e horrendas da Terra, criando verdadeiros monstros que o acompanharam na guerra.
   A tal ameaça, foi difícil manter a defesa de Neuschwanstein…Houve guerra durante dois anos.
   Em batalha, Ivan seguia sempre à frente montado numa carruagem puxada por um escaravelho gigante, seguido pela infantaria e depois pelos monstros.
   Durante esses dois longos anos de guerra, o império foi também arrasado por temporais, destruindo-o completamente. Esses temporais arrasaram os campos de túlipas do norte, e os campos de girassóis-gigantes e ficando o império sem as sementes destes, muitos animais morreram também.
   Ivan chacinou milhares de habitantes, aprisionou Ariel e exilou Schmidtz, uniu as Terras Baixas a Neuschwanstein, criando o novo império de Rebenbetz e autointitulando-se imperador deste.
   Ivan, o Terrível, casou com Ariel, tendo tido ela cinco filhos: Haizten, o primogénito, seguiram-se a este quatro raparigas: Ellen, Nischua, Divzty, Cryzza.
   O imperador reinou durante trinta anos e, durante esse tempo aumentou o castelo, agora de Rainenbetzen, abriu canais de vinho doce, explorou o solo e criou novas povoações. Tudo isto foi conseguido à custa do povo Kirrin, que escravizou.
   Com o passar do tempo, as 7 Terras deixaram de comprar o vinho doce e Ivan viu-se obrigado a ceder algumas terras, em troca de ouro.
   Ivan tinha escravizado o povo de Schmidtz, os que não haviam morrido claro!
   O imperador tinha agora setenta anos, quando um dia um mensageiro enviado do castelo de Kirrin (na antiga terra do povo Kirrin), onde Schmidtz tinha sido exilado, chegou com uma carta falando da morte deste. Ariel chorou durante dias e dias até que morreu. 
   Haizten, já com vinte e três anos, vendo toda aquela dor da mãe, revoltou-se e ficou a saber de toda a história…Perguntou ao pai se era verdade e este confirmou-lhe…O pai que Haizten sempre tivera como referência, exemplo, era agora o assassino de um povo.
   Haizten fugiu do império e durante oito anos não se soubera nada dele.
   Entretanto em Rebenbetz, Ellen tinha-se juntado aos ideais do pai, apoiando-o. Numa noite Ellen caiu num poço de água de abóbora mágica e transformou-se…num elfo cruel e impiedoso…
   Assim que souberam do terrível acontecimento, as outras três irmãs, Nishua, Divzty e Cryzza enviaram um mensageiro à procura do irmão Haizten, com a informação do que tinha sucedido. Isto sem o pai saber, pois quando Haizten fugiu, Ivan tinha-os proibido de lhe falarem ou de terem qualquer tipo de contato com ele.
   Passou um mês, e as três irmãs nada tinham descoberto acerca do paradeiro do irmão, até que um dia chegou ao palácio a notícia de que tinha sido encontrado um mensageiro morto na estrada velha…Tinha sido Ellen que tinha descoberto o que as três irmãs haviam feito e ela própria tinha morto o mensageiro, uma vez que agora tinha garras e asas.
   Ellen era revoltada contra o que lhe tinha acontecido, achava-se um monstro, por isso tinha-se tornado cruel. Ellen quis governar Rebenbetz e, quando o pai adoeceu, esta autoproclamou-se (tal como o pai tinha feito anos antes), imperatriz de Rebenbetz.

   Meses mais tarde, Ivan melhorou e continuou a governar Rebenbetz, agora com a filha Ellen ao lado. 
    Entretanto as três irmãs haviam fugido, à procura do irmão.
   Haizten vivera durante esse tempo nos campos de Bittzen-Borggue, longe do império de seu pai. Tinha-se aí instalado e juntado uma pequena comunidade de homens, águias e lobos, que depressa se tornou num exército de seis mil criaturas, a que haviam chamado uma rebelião.
   A rebelião espalhou o terror pelas fronteiras de Rebenbetz, atacando povoações e destruindo-as…Estes ataques foram acontecendo ao longo de três meses…
   Quando tal informação chegou aos ouvidos de Ellen por uma comunidade de aldeões habitante da fronteira do império, nem queiram saber!...
   - Porque razão é que não me avisaram logo, se isto acontece já há meses meus borra-botas?! – gritava Ellen furiosa.
   - Vossa alteza imperial… pensávamos que eram apenas comuns inimigos e que o exército já estava a tratar disso… - disse um dos aldeões.
  - Saiam! – gritou Ellen.
   Nessa tarde o conselho imperial, reuniu de emergência com os imperadores, em Rebenbetz:
   - Convoquei-vos aqui hoje, pois, como já devem saber, há uma rebelião chefiada por meu irmão Haizten que assola as fronteiras do império, temos de tomar medidas contra isso… dizia Ellen.
   Ao fim de umas conversações, instalou-se a confusão e os conselheiros começaram todos a discutir uns com os outros, numa profunda barulheira… Ellen fitava-os com impaciência até que se levantou do cadeirão onde estava sentada e gritou:
   - Basta! – a sua voz ecoou pela grande sala do conselho, toda feita em pedra-bottz e com grandes candeeiros que pendiam do teto, que entretanto abanavam com a vibração que se espalhara pelas paredes devido ao grito da imperatriz.
Esta continuou:
   - Amanhã convocar-se-á o conselheiro imperial da arte e da guerra. Haverá guerra!- exclamou.
   - Concordo. – disse calmamente Ivan, que deixava já que a filha tomasse as decisões por ele, pois já estava velho e cansado. Ellen continuou:
   - Portanto amanhã quero-vos a todos aqui presentes antes do pôr do sol! – ordenou.
   - Retirem-se.
   Todos os conselheiros se levantaram, mas Ivan permaneceu na sala com Ellen e, quando esta se ia a levantar para se ir embora o imperador perguntou-lhe:
   - Estais certa da decisão que ides tomar? - murmurou, questionando com voz trémula.
   - Sim, claro pai… - respondeu-lhe Ellen. Depois saíram.
   Haizten de nada desconfiava. Uma noite chegaram-lhe a casa as suas três irmãs, depois de muito o terem procurado. Houve abraços, beijos e palavras carinhosas.
De seguida, jantaram e conversaram.
   Haizten disse-lhes que estava decidido a invadir Rebenbetz com o seu exército e alguns descendentes do povo Kirrin, ainda escravizado no império. As irmãs não estavam certas de tal decisão, pois sabiam quão má se tinha tornado a sua irmã Ellen. Haizten não tinha medo, a decisão estava tomada.
   Meses depois em Rebenbetz, o exército imperial estava pronto a partir em busca da Rebelião, mas foi surpreendido…
   Numa gélida manhã, sentiu-se a terra tremer. Ellen abrira a janela do seu quarto e vira a causa desse suposto “sismo”. A Rebelião tinha invadido o império com gigantescos dragões-morgann, que ao andarem faziam o solo tremer. Ficou pasmada ao ver tal cena e que, ainda por cima, quem estava a controlar os dragões eram as suas irmãs, Nishua, Divzty e Cryzza, que iam montadas neles. Os dragões esmagavam e pulverizavam tudo por onde passavam, com o seu fogo ardente.
   Passada uma semana de intensa guerra, Ellen, rendera o seu exército, mas não se rendera. Já não se sentia com força para continuar, o imperador Ivan suicidara-se, atirando-se da torre mais alta do castelo…
   Ellen fugira, mas dias depois foi encontrada num pântano, com uma das suas asas negras arrancadas, junto a ela estava um cavaleiro imperial, morto, de espada na mão. Os quatro irmãos supuseram que os dois tinham travado uma cruel luta.
   Assim, Haizten foi coroado imperador pelas suas irmãs, recuperaram o reino, o povo Kirrin foi liberto e expulsaram o antigo exército imperial.
    Começou uma nova era para Neuschwanstein…                                                                                                   

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